O senador Humberto Costa (PT) condenou com veemência os rumos da campanha eleitoral no estado de Pernambuco, que, nas últimas semanas, praticamente se resumiu à troca de farpas e de acusações entre as candidaturas da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), sobre a eventual existência de "gabinetes do ódio", tática eleitoral usada para descredibilizar adversários com base na disseminação de notícias falsas e ataques políticos. "É lamentável ver a festa da democracia sendo tomada por agressões", disse Humberto em entrevista ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios.
"Num dia a gente se depara com ataques contra João e, no outro, essa coisa brutal e desumana feita contra a governadora Raquel Lyra, com ataques de ordem pessoal. Esse tipo de campanha não ajuda a esclarecer o eleitor e transforma a disputa em um vale-tudo. Sou contra e me solidarizei tanto com João quanto Raquel", ressaltou o petista.
A fala faz alusão a denúncias sobre o possível uso da estrutura do governo do estado por parte de agora ex-servidores para desidratar a candidatura de João Campos ao Palácio do Campo das Princesas, bem como de adversários políticos na Assembleia Legislativa (Alepe); e a distribuição de panfletos apócrifos contra a governadora Raquel Lyra, relacionados ao falecimento de seu ex-marido em plena campanha eleitoral de 2022.
Ainda no âmbito das eleições de outubro, perguntado sobre a possibilidade de uma agenda em Pernambuco do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda no primeiro turno, Humberto disse que o assunto tem sido discutido pessoalmente entre o petista e o ex-prefeito João Campos. "Entendemos como algo muito positivo para toda a chapa da Frente Popular, tanto que apresentamos a demanda, mas esse é um assunto que João tem tratado diretamente com Lula. Mas seguimos defendendo a importância de um grande ato".
Solicitado a analisar as últimas pesquisas de intenção de voto em Pernambuco para o Senado e o Palácio do Planalto, Humberto destacou a polarização como um entrave nas discussões sobre os rumos do estado e do país a partir da apresentação de propostas efetivas direcionadas a temas como saúde, educação, desenvolvimento socioeconômico e infraestrutura, mas disse não ter dúvidas sobre a vitória de Lula e dos candidatos da Frente Popular.
"Acredito piamente na possibilidade de conseguirmos eleger toda a chapa majoritária da Frente Popular, e, consequentemente, a nossa candidatura e a de Marília Arraes (PDT) ao Senado. Apesar de respeitarmos os demais candidatos, nós temos o apoio do time de Lula. Não estou dizendo que vai ser disputa simples, mas acreditamos que há, sim, espaço para elegermos os candidatos ao Senado da Frente Popular", pontuou.