PF mira suposto esquema que enviava brasileiras a Israel para prostituição
Publicado em 05/11/2026 às 10:30

Operação Dirty Dancing prendeu uma pessoa e congelou valores até R$ 10 milhões.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (4) uma operação com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de recrutar mulheres para serem exploradas sexualmente em Israel.

A organização transnacional também seria responsável pela entrada irregular dessas mulheres em outros países e ficaria com parte do lucro obtido pela atividade.

Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Ananindeua/PA, e um outro de busca e apreensão em Goiânia/GO.

Além dos mandados, houve o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões, a suspensão das atividades de duas empresas vinculadas à investigada presa, além da apreensão de passaportes, monitoração eletrônica e proibição de saída do país para dois suspeitos.

A investigação da “Operação Dirty Dancing” teve início em fevereiro de 2025, a partir do compartilhamento de dados pela Polícia de Israel. O trabalho constitui um desdobramento de averiguações conduzidas pelas autoridades do país sobre a atuação do mesmo grupo criminoso.

Segundo o inquérito, a apontada como líder do esquema utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar mulheres interessadas em viajar para fora do país.

A organização financiava o transporte e a estadia das vítimas, além de manter colaboradores no Brasil encarregados de publicar anúncios em páginas especializadas e gerenciar a marcação de atendimentos com clientes.

Os levantamentos indicam também que os recursos obtidos no exterior eram arrecadados em dinheiro em espécie e enviados ao Brasil por intermédio de brasileiros residentes no exterior, que atuavam por meio de operações de câmbio paralelo.

A Justiça Federal expediu mandado de prisão preventiva contra a principal investigada. Com base nos elementos reunidos até o momento, o grupo operava de maneira contínua, mantendo uma estrutura voltada à exploração de mulheres brasileiras em diversos países.

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.

Prefeitura do Brejo da Madre de Deus lança REFIS 2026-2 com descontos de até 100% em juros e multas
Publicado em 05/11/2026 às 10:30

A Prefeitura do Brejo da Madre de Deus instituiu o Programa de Recuperação Fiscal (REFIS 2026-2), que oferece condições especiais para que pessoas físicas e jurídicas regularizem seus débitos com o município. O programa foi regulamentado pelo Decreto Municipal nº 025/2026 e permite descontos de até 100% sobre juros e multas.

Os interessados poderão aderir ao programa no período de 3 de novembro a 15 de dezembro de 2026. A iniciativa contempla débitos tributários e não tributários, inscritos ou não em dívida ativa, inclusive aqueles que já estejam em cobrança judicial.

As condições variam de acordo com a modalidade de pagamento. Para quitação à vista, o desconto sobre juros e multas é de 100%. Quem optar pelo parcelamento terá redução de 80% para pagamentos em até seis parcelas, 70% em até 12 parcelas e 40% em até 36 parcelas.

Nos casos de parcelamento, a adesão exige uma entrada mínima de 20% do valor total da dívida, com vencimento em até cinco dias corridos após a formalização do acordo. As parcelas mínimas são de R$ 100 para pessoas físicas e R$ 300 para pessoas jurídicas.

Com o REFIS 2026-2, a gestão municipal busca facilitar a regularização dos contribuintes, permitindo que cidadãos e empresas recuperem sua situação fiscal junto ao município, além de contribuir para o fortalecimento da arrecadação e da economia local.

PF mira suposto esquema que enviava brasileiras a Israel para prostituição
Publicado em 05/11/2026 às 10:30

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (4) uma operação com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de recrutar mulheres para serem exploradas sexualmente em Israel.

A organização transnacional também seria responsável pela entrada irregular dessas mulheres em outros países e ficaria com parte do lucro obtido pela atividade.

Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Ananindeua/PA, e um outro de busca e apreensão em Goiânia/GO.

Além dos mandados, houve o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões, a suspensão das atividades de duas empresas vinculadas à investigada presa, além da apreensão de passaportes, monitoração eletrônica e proibição de saída do país para dois suspeitos.

A investigação da “Operação Dirty Dancing” teve início em fevereiro de 2025, a partir do compartilhamento de dados pela Polícia de Israel. O trabalho constitui um desdobramento de averiguações conduzidas pelas autoridades do país sobre a atuação do mesmo grupo criminoso.

Segundo o inquérito, a apontada como líder do esquema utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar mulheres interessadas em viajar para fora do país.

A organização financiava o transporte e a estadia das vítimas, além de manter colaboradores no Brasil encarregados de publicar anúncios em páginas especializadas e gerenciar a marcação de atendimentos com clientes.

Os levantamentos indicam também que os recursos obtidos no exterior eram arrecadados em dinheiro em espécie e enviados ao Brasil por intermédio de brasileiros residentes no exterior, que atuavam por meio de operações de câmbio paralelo.

A Justiça Federal expediu mandado de prisão preventiva contra a principal investigada. Com base nos elementos reunidos até o momento, o grupo operava de maneira contínua, mantendo uma estrutura voltada à exploração de mulheres brasileiras em diversos países.

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio. Com informações da Jovem Pan.

Em Brasília, Múcio Angelim se reúne com senador Fernando Dueire e garante compromisso de emendas para a saúde de Parnamirim
Publicado em 05/11/2026 às 10:15

O prefeito de Parnamirim, Múcio Angelim, esteve na tarde desta quarta-feira (4), no gabinete do senador Fernando Dueire, em Brasília, dando continuidade à agenda de reuniões voltadas à busca de recursos e investimentos para o município.

Durante o encontro, a saúde pública foi o principal assunto discutido. Múcio apresentou demandas do município e conversou com o parlamentar sobre a importância de ampliar os recursos destinados à manutenção dos serviços de saúde oferecidos à população.

Na ocasião, o senador Fernando Dueire assumiu o compromisso de destinar emendas parlamentares para o custeio da saúde de Parnamirim. Os recursos, quando disponibilizados, poderão contribuir para a manutenção dos atendimentos e o fortalecimento da rede municipal de saúde.

A reunião faz parte de uma série de compromissos que o prefeito vem cumprindo na capital federal, buscando apoio junto a parlamentares para viabilizar investimentos em áreas essenciais, como saúde, infraestrutura e agricultura.

Para Múcio Angelim, manter o diálogo com representantes de Pernambuco no Congresso Nacional é fundamental para apresentar as necessidades do município e buscar alternativas que contribuam para melhorar os serviços prestados à população.

Com mais esse encontro, o prefeito encerra mais uma etapa de sua agenda em Brasília com o compromisso de novos recursos para a saúde, reforçando a articulação da gestão municipal em busca de melhorias concretas para Parnamirim.

Novas regras do SAC já estão em vigor e ampliam direitos dos consumidores
Publicado em 05/11/2026 às 10:10

Decreto federal garante atendimento humano, facilita cancelamentos e estabelece prazos para resolução de reclamações.

As novas regras para o funcionamento dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) já estão em vigor desde 2 de novembro. Estabelecidas pelo Decreto Federal nº 13.135/2026, as medidas ampliam os direitos dos consumidores e estabelecem novas obrigações para empresas de setores regulados pelo Governo Federal e determinados serviços financeiros supervisionados pelo Banco Central.

O Procon-PE, órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência (SJDH), orienta a população sobre as mudanças, que buscam tornar o atendimento mais acessível, transparente e eficiente.

Uma das principais novidades é a garantia de atendimento humano, mesmo quando as empresas utilizam sistemas automatizados ou inteligência artificial. O atendimento por uma pessoa deverá estar disponível das 8h às 20h, todos os dias da semana. As empresas também deverão oferecer pelo menos um canal eletrônico com funcionamento 24 horas.

“As novas regras representam um avanço na proteção dos consumidores, pois estabelecem garantias importantes para quem precisa resolver problemas com empresas. O consumidor não pode encontrar obstáculos para registrar uma reclamação, cancelar um serviço ou contestar uma cobrança indevida. É fundamental que as empresas cumpram as exigências e respeitem os direitos previstos na legislação”, destaca Anselmo Araújo, secretário executivo de Justiça e Promoção dos Direitos do Consumidor.

Entre as mudanças, está a determinação de que cobranças indevidas e serviços não contratados tenham providências imediatas para suspensão, com conclusão do tratamento da demanda em até 48 horas. Reclamações não urgentes deverão ser respondidas em até sete dias corridos.

O cancelamento de contratos também deverá estar disponível desde o primeiro nível de atendimento, sem obstáculos ou transferências desnecessárias. O decreto ainda garante acessibilidade para pessoas com deficiência, atendimento prioritário às pessoas idosas e acesso gratuito ao histórico das solicitações, que deverá ser fornecido em até cinco dias úteis.

Outra novidade é a criação de um canal telefônico específico para atendimento aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), especialmente os Procons, facilitando a comunicação com as empresas.

Orientação ao consumidor

O Procon-PE recomenda que os consumidores guardem números de protocolo, datas, horários e mensagens dos atendimentos realizados. Esses registros podem ajudar na formalização de reclamações em caso de descumprimento das novas regras.

Para informações e orientações, o consumidor pode entrar em contato pelo telefone 0800 282 1512 ou utilizar o Reclama Procon, plataforma integrada ao PE.GOV que permite registrar reclamações e denúncias, acompanhar protocolos e acessar os serviços do órgão pela internet, por meio da conta Gov.br.

A nova era da excelência médica: O encontro entre tecnologia, gestão e cuidado ético
Publicado em 05/11/2026 às 10:05

GABRIELLA NAPOLEÃO - Como médica pediatra e coordenadora adjunta do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Olinda (FMO), vejo de perto o desafio de formar a próxima geração de médicos.

A excelência na medicina atual vai além do conhecimento anatômico ou farmacológico; ela exige a união entre o cuidado humanizado, a gestão eficiente e o uso inteligente da tecnologia.

Não formamos mais profissionais restritos ao modelo curativo, mas verdadeiros gestores de saúde e de vidas, cujo impacto começa na infância e transforma toda a sociedade.

As novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2025 refletem essa urgência. O documento deixa claro que o letramento digital e a visão estratégica devem acompanhar o exame clínico tradicional.

Na FMO, ensinamos que a tecnologia, desde a integração dos prontuários eletrônicos até o uso de inteligência artificial para prever riscos, é uma ferramenta poderosa. Contudo, ela não é um fim em si mesma.

O objetivo é usar esses recursos para melhorar tratamentos, fortalecer o SUS e garantir a sustentabilidade do sistema de saúde como um todo. É exatamente nesse cenário inovador que o Código de Ética Médica atua como nossa bússola inegociável.

A saúde digital, impulsionada pelo processamento de grandes volumes de dados (big data) e pelos dispositivos de monitoramento contínuo (wearables), revolucionou a medicina preventiva. Porém, os princípios de sigilo, privacidade e responsabilidade profissional continuam sagrados.

Na pediatria, sabemos bem disso: o olhar sensível ao neurodesenvolvimento infantil e o acolhimento da família jamais serão substituídos por um algoritmo.

A inovação tecnológica deve servir para automatizar a burocracia e refinar diagnósticos, devolvendo ao médico o seu recurso mais precioso: tempo para ouvir, examinar e cuidar.

Por isso, a gestão médica deixou de ser assunto exclusivo de administradores e tornou-se uma competência clínica essencial. Um médico com visão de gestão entende a jornada do paciente por completo.

Ele evita desperdícios na solicitação de exames, lidera equipes multidisciplinares com inteligência emocional e pauta suas decisões em indicadores de segurança. Prescrever com excelência significa, hoje, compreender também os impactos sociais, emocionais e econômicos de cada decisão terapêutica.

O futuro da medicina já é o nosso ambiente de prática atual. Para entregarmos uma saúde baseada em valor, aliando alta resolutividade a custos sustentáveis, precisamos continuar formando profissionais que dominem as inovações sem perder a essência humana.

A verdadeira excelência médica acontece quando a tecnologia e a gestão se curvam à empatia, honrando a nossa ética e garantindo um futuro mais seguro e saudável para as nossas crianças, adolescentes e para toda a população.

Governo encaminha ao Congresso MP que regulamenta o “Imposto do Pecado”
Publicado em 05/11/2026 às 09:35

O governo federal enviou ao Congresso Nacional, nesta quarta-feira (4), uma medida provisória para regulamentar o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”. O tributo incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A cobrança deve começar em 2027, respeitando o prazo mínimo de 90 dias após a publicação da norma. A equipe econômica trabalha com a possibilidade de início em fevereiro.

O governo estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o imposto em 2027. Para compensar a ausência de cobrança em janeiro, a Fazenda pretende prorrogar temporariamente o IPI sobre os setores afetados.

Felipe Carreras leva demandas dos municípios pernambucanos ao ministro da Saúde e discute regulamentação de suplementos
Publicado em 05/11/2026 às 09:10

O deputado federal Felipe Carreras se reuniu, nesta quarta-feira (4), com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para apresentar demandas dos municípios pernambucanos e O encontro também teve como pauta o projeto relatado pelo parlamentar que estabelece novas regras para a comercialização de suplementos alimentares no Brasil.

Durante o encontro, Carreras reforçou a importância de atuar junto ao Governo Federal para garantir os avanços na saúde dos municípios pernambucanos. Na pauta, a busca por novos recursos para ampliar a oferta de serviços, melhorar a estrutura das unidades e dar suporte às prefeituras.

Regulamentação dos suplementos alimentares

Outro tema importante da reunião foi o projeto de lei que estabelece novas regras para a produção, comercialização, fiscalização e publicidade de suplementos alimentares no Brasil.

A iniciativa, do deputado Felipe Carreras, busca ampliar a segurança dos consumidores, fortalecer os mecanismos de controle e rastreabilidade dos produtos e estabelecer medidas mais rigorosas contra a falsificação, a adulteração e a comercialização irregular de suplementos, inclusive pela internet.

Carreras, que tem atuado diretamente na construção da proposta na Câmara dos Deputados, também defendeu a valorização da orientação de profissionais de saúde e a importância de garantir informações claras e confiáveis aos consumidores.

SUS e Einstein desenvolvem IA para identificação de doenças de pele
Publicado em 05/11/2026 às 09:00

Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveu um sistema com inteligência artificial para apoiar profissionais de saúde pública na triagem e identificação de doenças de pele.

A iniciativa, chamada CUTIS-AI, utiliza como base imagens da lesão da pele do paciente e dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos que refletem a realidade brasileira.

Entre as doenças que podem ser identificadas estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea, além de lesões decorrentes de acidentes loxoscélicos (picada de aranha marrom).

O aplicativo que viabiliza o uso da IA, que ainda está em estudo, foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais de saúde da atenção básica. O app pode ser utilizado mesmo em locais em que não há conexão com a internet. A taxa de acerto do aplicativo já é de cerca de 80%.

A proposta do CUTIS-AI, no entanto, é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, sem substituir a avaliação clínica realizada pelos profissionais de saúde.

“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.

O estudo com o aplicativo já analisou cerca de 1,4 mil pacientes e conta com mais de 4 mil imagens de lesões. A diversidade de pacientes ajuda a treinar a inteligência artificial com exemplos variados, tornando o modelo mais preparado para identificar as características das lesões.

“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial” ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior. Com informações da Agência Brasil.

Favelas perdem vegetação e avançam sobre áreas sujeitas a inundações
Publicado em 05/11/2026 às 08:00

A expansão das favelas brasileiras ocorreu à custa de áreas verdes e avançou sobre terrenos sujeitos a riscos ambientais. Em 40 anos, a área urbanizada dessas comunidades aumentou 150%, passando de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025. No mesmo intervalo, 77,6% dos territórios perderam pelo menos 10% da vegetação. O cenário é constatado por um levantamento do MapBiomas divulgado ontem, Dia Nacional das Favelas.

O crescimento foi superior ao registrado nas demais áreas urbanas do país. Enquanto a ocupação em favelas avançou 150%, a urbanização brasileira aumentou 132% — de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares. A diferença também aparece no ritmo de expansão: embora o crescimento das cidades esteja desacelerando, as comunidades continuam avançando.

Segundo Julio Cesar Pedrassoli, coordenador do tema Urbano no MapBiomas, a redução da velocidade de expansão não ocorre na mesma proporção entre os diferentes territórios. "As favelas ainda crescem mais rápido do que as áreas urbanizadas fora delas", afirma.

O avanço da construção também modificou a paisagem dessas localidades. A disponibilidade de vegetação dentro dos perímetros urbanizados caiu aproximadamente 34% no período analisado. Em 1985, havia 0,060 hectare de cobertura vegetal para cada hectare construído. Quatro décadas depois, a proporção recuou para 0,040 hectare.

Fora das favelas, a tendência foi inversa: a disponibilidade de áreas verdes aumentou cerca de 10%. Os números mostram que a população dessas comunidades convive com uma presença proporcionalmente menor de vegetação, elemento importante para amenizar as temperaturas e reduzir os efeitos de eventos climáticos.

O levantamento identificou 12,3 mil favelas distribuídas por 651 municípios. Desse total, 9.895 já apresentavam alguma área urbanizada em 1985. Entre as comunidades que existiam naquele ano, 42,4% pelo menos dobraram de tamanho até 2025. Mais de 60% da área urbanizada atualmente nesses territórios surgiu depois do início da série histórica.

Outro aspecto relevante é a forma como ocorreu essa ocupação. Nas favelas, 54% da expansão avançou sobre áreas naturais. No restante do país, a principal origem da urbanização foi a conversão de pastagens, responsável por 38% da área incorporada às cidades. Em números absolutos, a transformação de vegetação natural em espaços urbanizados alcançou 49,5 mil hectares nas comunidades e 866,8 mil hectares nas demais áreas.

Para Julio Cesar Pedrassoli, os resultados reforçam a necessidade de incluir as favelas no planejamento urbano e nas políticas de adaptação às mudanças climáticas. A combinação entre ocupação acelerada, supressão de vegetação e localização em terrenos vulneráveis exige atenção do poder público para reduzir os riscos enfrentados pelos moradores.

Região Norte

A Região Norte concentra 27,9% de toda a área urbanizada em favelas, embora responda por apenas 9,4% da urbanização nacional. Manaus ocupa a primeira posição em extensão, com 10,5 mil hectares distribuídos por 235 comunidades.

No Distrito Federal, estão as três maiores favelas do país: 26 de Setembro, Sol Nascente e Morro da Cruz. Juntas, ocupam 25,6 km², conforme o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Sol Nascente também aparece entre as maiores comunidades brasileiras em número de moradores. Com aproximadamente 71 mil habitantes, ocupa a segunda posição nacional, atrás apenas da Rocinha, no Rio de Janeiro, que reúne 72 mil pessoas. Paraisópolis, em São Paulo, aparece em terceiro lugar, com 58 mil moradores.

A redução da vegetação tem consequências que ultrapassam a transformação da paisagem. Em áreas urbanas com até 10% de cobertura vegetal, a diferença média de temperatura da superfície chega a 5°C durante o verão. Nos locais com 80% de vegetação, o indicador cai para 1,1°C.

Em aproximadamente um quarto dos setores censitários urbanos analisados, a superfície das áreas construídas apresenta temperatura mais de 7°C superior à das regiões não urbanizadas do entorno. A diferença média nacional é de 2,73°C. Os indicadores consideram a temperatura da superfície, medida por satélite, e não a temperatura do ar.

A vulnerabilidade também aparece na ocupação de terrenos suscetíveis a desastres. Entre 1985 e 2025, a extensão urbanizada de favelas situadas em regiões com alta probabilidade de inundações aumentou 117%. A média anual passou de 3.741 hectares, no intervalo de 1985 a 1989, para 8.111 hectares entre 2020 e 2025. O Pará concentra a maior extensão de comunidades em regiões com suscetibilidade muito alta a inundações, com 2.059 hectares.

A análise também identificou mudanças na distribuição da iluminação artificial. Entre 2013 e 2025, a área com luz noturna detectável por satélite aumentou 37% no Brasil, um acréscimo de 1,7 milhão de hectares. O avanço foi 2,5 vezes mais rápido do que o crescimento da área urbanizada. O Sudeste concentra 40% da área iluminada identificada no território nacional, apesar de representar 11% da extensão do país.