Em evento do Banco Safra, presidente do BNDES também alertou sobre o risco de um “neocolonialismo” e defendeu autonomia do Brasil sobre minerais críticos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou, nesta quarta-feira, 23 de setembro, durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, em São Paulo (SP), a proposta do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de incluir a participação dos Estados Unidos no processo de transição de governo caso vencesse as eleições no Brasil. Mercadante explicou que uma transição presidencial envolve acesso a informações sensíveis de diversas áreas do Estado. “Você tem acesso a todas as informações, da defesa, de milhares de clientes, do Banco Central, do PIX. Como é que você vai abrir essas informações para outro país?”, questionou.
Ao defender uma posição independente do Brasil, o presidente do BNDES também criticou manifestações de apoio a medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra o país. “O cara faz um tarifaço de 50% e o pessoal põe o chapeuzinho do Maga, vai com a bandeira americana e sai batendo palmas na rua. Isso não tem como dar certo”, afirmou.
*Neocolonialismo*
No evento, o presidente do BNDES alertou para o risco de o Brasil entrar em um processo de “neocolonialismo” e de perda de autonomia sobre seus recursos estratégicos. Mercadante lembrou os termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos para acabar com o tarifaço e criticou a possibilidade de que decisões brasileiras sobre exploração de recursos naturais sejam condicionadas previamente aos interesses de outros países.
“Nós não podemos vender nenhuma empresa, nem podemos definir o que nós vamos explorar antes de consultar se os americanos têm interesse. Nós vivemos 400 anos como colônia. Nós estamos indo para um neocolonialismo digital e um neocolonialismo na região. Isso não é sustentável, isso não é correto”, afirmou, ao defender que o país precisa se posicionar de forma soberana diante da crescente disputa internacional por minerais críticos e pela Amazônia.
Para Mercadante, o Brasil tem dimensão econômica, territorial e mineral que exige uma postura de maior autonomia nas relações internacionais. Ele defendeu que o país apresente ao mundo suas potencialidades “com altivez, com autonomia, com interdependência” e, ao mesmo tempo, com “realismo” em relação à importância dos minerais críticos. “Nós somos grandes demais para aceitar o que quer que seja. Nós precisamos defender e falar e mostrar o Brasil para o mundo com altivez, com autonomia, com interdependência, com realismo em relação aos minerais críticos”, disse.
Para Mercadante, a dimensão do Brasil e sua posição entre as maiores economias do mundo impõem uma estratégia própria diante da transformação da economia global. “Nós somos um país independente, nós somos um país grande, nós estamos entre as três maiores economias do mundo, na nova fronteira mineral”, disse.