Presidente defendeu redução para crimes hediondos em entrevista à TV Globo.
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos levou lideranças de esquerda e militantes de direitos humanos a ajustarem o discurso sobre o tema.
No PL, a fala do petista em entrevista à TV Globo foi vista como “artificial” e “oportunista”.
“Não gostei do que ele (Lula) falou, mas vejo como um movimento estratégico de redução de danos”, disse à CNN o historiador Rogério Sotilli, ex-secretário nacional de Direitos Humanos e diretor do Instituto Vladimir Herzog.
A leitura de Sotilli, porém, é a de que a fala de Lula deve causar um “desgaste enorme” com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
“Esse debate não pode ser bloqueado, mas não deve estar no centro da pauta”, afirmou.
O PT e os demais partidos de esquerda são historicamente contra a redução da maioridade penal.
“A redução da maioridade penal é um anseio social e uma pauta que dialoga com os evangélicos, que defendem penas severas para crimes hediondos”, disse Gutierrez Barbosa, coordenador do setorial inter-religioso do PT.
Já o PL, que tem a medida como bandeira, criticou e minimizou a declaração de Lula.
“Essa fala soa artificial. É uma enganação e claramente oportunismo eleitoreiro, como a promessa de picanha em 2022”, disse à CNN o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
O senador Izalci Lucas (PL-DF) foi na mesma linha. “Eles sempre foram e continuarão sendo contra. O eleitor não cairá nessa”, afirmou.