Uma nova bomba explodiu na Câmara de Vereadores das Vertentes na sessão ordinária desta quarta-feira (3): foi aprovado, por um placar acachapante, o parecer favorável ao Requerimento 04/2026, que determina a abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as prestações de contas das edições de 2017 a 2025 da Festa de São José. Apenas os vereadores Elba Leal e Dida de Elda votaram contra a investigação das contas zeradas no período do ex-prefeito Romero Leal, padrinho político de ambos.
O requerimento foi uma resposta encabeçada pelo líder do governo, Kleiton Vieira, à tentativa frustrada da oposição — que une os apadrinhados de Zito Barros e de Romero Leal — de pressionar o prefeito Israel Ferreira através do Requerimento 02/2026, que buscava, sem provas claras, uma CPI exclusiva para a festa de 2026. Kleiton provocou a ampliação do escopo da investigação para os anos anteriores e foi prontamente seguido por Dona Santa, Geise da Máquina e Zé Ivanildo.
Diferentemente do pedido da oposição, arquivado por graves falhas de construção e tentativa de pesca probatória, o Requerimento 04/2026 cumpriu todos os requisitos constitucionais: quórum, prazo de 120 dias e fato determinado. Após o aval da Comissão de Justiça e Redação, o relatório foi ao plenário e foi aprovado por 8x2. O resultado sinaliza ainda uma possível ruptura - ainda que momentânea - no bloco oposicionista, já que os liderados de Zito Barros e Romero Leal vinham atuando em total sintonia na Casa Lourenço Pereira de Mendonça.
As provas que baseiam a CPI são robustas e apontam fortes suspeitas possíveis desvios e mau uso do dinheiro público ao confrontar o sucesso de arrecadação da festa de 2026 com o passado. O documento traz uma conta simples: o evento monta em média 20 camarotes por ano que, ao preço de R$ 4.000,00 cada, deveriam render cerca de R$ 80 mil. No entanto, as prestações de contas anteriores registraram valores ínfimos, chegando ao ponto de apresentar saldo zerado nas edições de 2017, 2018 e 2019, mesmo com os eventos ocorrendo normalmente.
A investigação mira em cheio os dois mandatos de Romero Leal (2017-2024) e avança sobre o ano de 2025, focando na atuação do então Secretário de Cultura, Romerinho Leal, filho do ex-gestor.
Com a aprovação, o requerimento segue para o Presidente da Mesa Diretora elaborar a resolução indicando os membros da comissão e demais regras que irão disciplinar os trabalhos da CPI. Caso as irregularidades sejam comprovadas ao final do processo, o relatório será encaminhado ao Ministério Público para que o ex-prefeito e seus secretários respondam por improbidade administrativa e crime de responsabilidade (Decreto-Lei nº 201/1967).