A disputa política entre o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça foi sorteado para relatar a queixa-crime apresentada por Caiado, que acusa o integrante do governo Lula de cometer os crimes de calúnia, difamação e injúria em uma publicação nas redes sociais.
A ação tem como alvo um vídeo divulgado por Boulos, no qual o ministro associa contratos firmados pelo governo de Goiás com a Fundação Pró-Cerrado a investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Na avaliação da defesa de Caiado, as declarações extrapolam a crítica política e atingem sua honra ao vinculá-lo a irregularidades sem apresentar provas.
No pedido encaminhado ao STF, o pré-candidato do PSD sustenta que Boulos utilizou sua posição pública para reforçar acusações que considera falsas e ofensivas. A estratégia jurídica busca responsabilizar criminalmente o ministro pelas declarações feitas durante a escalada do embate político entre integrantes do governo e possíveis adversários de Lula na disputa presidencial de 2026.
Após ser acionado na Corte, Boulos reagiu às acusações e afirmou que Caiado está “brigando com os fatos”. Segundo o ministro, o ex-governador também teria de contestar reportagens jornalísticas e a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo que tratam do caso citado no vídeo.
O sorteio que definiu André Mendonça como relator dá início à tramitação da queixa-crime no Supremo. Caberá ao ministro analisar os argumentos apresentados pelas partes e decidir sobre o prosseguimento da ação.
O episódio amplia a judicialização da disputa política entre aliados do presidente Lula (PT) e possíveis adversários na corrida ao Palácio do Planalto. Em meio ao avanço das articulações para 2026, confrontos travados nas redes sociais têm migrado cada vez mais para os tribunais, transformando o STF em palco de embates entre pré-candidatos e integrantes do governo federal. Com informações de O Antagonista.