Ministro das Comunicações, representante da Câmara dos Deputados e conselheiro da Anatel destacam a nova geração da TV aberta como política pública de acesso, cidadania e soberania
A cerimônia de abertura do SET EXPO 2026, maior evento de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento da América Latina, reuniu nesta terça-feira (18), no Distrito Anhembi, em São Paulo, autoridades do governo federal, do Congresso Nacional e dos órgãos reguladores em torno de uma mesma mensagem, a de que a televisão brasileira já vive um novo capítulo de sua história.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), o evento chega à sua 38ª edição com a implantação da TV 3.0 como um eixo da programação. E a presença de representantes do Executivo, do Legislativo e das agências reguladoras reforça a importância do SET EXPO como espaço para ampliar o debate sobre políticas públicas e os avanços do mercado.
O anfitrião, Paulo Henrique Castro, presidente da SET, abriu a cerimônia. “Durante muitos anos, discutimos como seria a próxima geração da televisão brasileira, mas hoje a conversa mudou. Nós não imaginamos mais como será a TV 3.0, nós já estamos construindo esse futuro de forma concreta”, afirmou. Para ele, o novo padrão preserva aquilo que sempre fez da TV aberta um bem coletivo, ao mesmo tempo em que incorpora interatividade e convergência. “A TV 3.0 preserva a sua universalidade, sua gratuidade, sua credibilidade e a sua capacidade de conectar milhões de brasileiros”, destacou, colocando a radiodifusão como questão de Estado. “Soberania cultural, soberania digital, soberania de informação são pilares essenciais da nossa democracia”.
Na sequência da programação, a plateia pôde assistir a um keynote com Paulo Aguiar, criador de conteúdo e cofundador do CR_IA, que levou ao palco o debate sobre criatividade e inteligência artificial. “O que as pessoas mais perguntam é sobre qual é o melhor prompt e a melhor IA”, provocou. “Mas hoje a principal ferramenta para trabalhar com IA é o seu vocabulário e o seu repertório”. Para Aguiar, o domínio dessas tecnologias vai deixar de ser uma especialidade isolada e passará a se somar a cada profissão. “Acredito que todo profissional de alta performance vai se tornar um especialista em inteligência artificial”, resumiu.
Pela Câmara dos Deputados, o deputado federal Cezinha de Madureira, que representou a Presidência da Casa, anunciou um projeto para obrigar os fabricantes a incluírem sintonizadores de TV digital e rádio nos aparelhos vendidos no Brasil. “Vamos relatar um projeto para obrigar as empresas a colocarem antena digital em todos os aparelhos produzidos, e eu acredito que até o final desta legislatura nós vamos aprovar”, afirmou. O deputado fez ainda uma defesa clara sobre a importância do jornalismo de rádio e TV diante da inteligência artificial, ao ponderar que até profissionais de comunicação já têm dificuldade de distinguir uma imagem real de uma imagem gerada, razão pela qual esses meios precisam seguir sendo valorizados como a verdadeira comunicação de massa do país.
Também presente à mesa de abertura, o diretor-presidente da Ancine, Alex Braga Muniz, entender o momento de transformação do setor como um convite a romper isolamentos. Para ele, é da aproximação entre instituições, empresas e pessoas que nascem os consensos capazes de converter a inovação em desenvolvimento, emprego e cidadania. Mais do que substituir o trabalho humano, defendeu, a tecnologia deve servir a um propósito maior. “Toda essa transformação digital nos traz ferramentas para valorizar a singularidade humana no movimento de nos unir para construir consensos e juntos inovar para crescer”, afirmou.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), o evento chega à sua 38ª edição com a implantação da TV 3.0 como um eixo da programação.
Do lado do regulador, Octavio Penna Pieranti, conselheiro da Anatel, ressaltou a vitalidade da radiodifusão e o papel da TV 3.0 em ampliar seu alcance. Ele reforçou a força do meio com dados de consumo, lembrando que o brasileiro assiste televisão mais de cinco horas por dia e ouve rádio quase quatro horas, índices que classificou como superiores aos europeus. Para ele, a nova geração da TV aberta reposiciona o setor e coloca o cidadão no centro, com mais protagonismo diante da programação e novas formas de acesso a serviços públicos. “A TV 3.0 reposiciona a radiodifusão e transforma o jeito de lidar com a televisão”, apontou, ao descrever um modelo construído em conjunto por Estado, emissoras privadas e comunicação pública.
Representando o governo federal, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, tratou a chegada da TV 3.0 como um compromisso cumprido, da assinatura do decreto que instituiu o padrão aos testes realizados na Copa do Mundo, e anunciou o início da etapa de escala nacional. Mais do que uma atualização técnica, disse, o governo enxerga a mudança como política pública de desenvolvimento, inclusão e cidadania. O ministro destacou o que considera o maior atrativo da nova televisão, a integração com serviços públicos e com o Gov.br direto na tela. “A televisão deixa de ser apenas uma tela para assistir conteúdo e passa a ser também uma porta de entrada para serviços públicos governamentais”, afirmou, destacando o alcance dessa transformação. “O que discutimos aqui não é apenas o futuro da televisão, estamos discutindo o futuro da comunicação no Brasil”, observou.