Com dívida bilionária, Braskem protocola pedido de recuperação extrajudicial
Publicado em 24/08/2026 às 10:00


A Braskem protocolou na madrugada desta segunda-feira (24) o pedido de recuperação extrajudicial, envolvendo dívidas de mais de US$ 10 bilhões. A informação foi confirmada à Jovem Pan.

Vence, nesta segunda, o prazo de 60 dias de proteção contra credores obtido pela petroquímica. Com o pedido de recuperação extrajudicial protocolado, a empresa obtém mais 90 dias de proteção, durante os quais irá negociar com credores um plano de reestruturação final, com adesão de 50% mais 1.

Para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial, é preciso a adesão de 33% dos credores. Até sexta-feira (21), a Braskem ainda tentava chegar a um consenso com essa fatia de credores, entre os quais bancos e alguns detentores de títulos de dívida emitidos pela empresa no exterior (bondholders).

Da dívida de mais de US$ 10 bilhões, cerca de US$ 7 bilhões estão com bondholders. Esse é o grupo junto ao qual a Braskem enfrentou maior resistência à sua proposta inicial de somente alongar prazos e obter carência de pagamentos.

Na semana passada, a companhia conseguiu encaminhar a situação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, cujo pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos trouxe, como parte da proposta, um aporte da Braskem de US$ 476 milhões, dos quais aproximadamente US$ 126 milhões já haviam sido desembolsados antes do pedido de Chapter 11, e outros US$ 230 milhões devem ser desembolsados no curto prazo. O restante será colocado na subsidiária mexicana em seis meses.

Em nota, a Braskem informou que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da companhia e de algumas controladas, com o objetivo de reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. Segundo a empresa, o procedimento busca “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação” das dívidas. A Braskem ressaltou ainda que a recuperação tem “escopo limitado, estritamente financeiro” e não inclui obrigações com fornecedores, clientes e demais partes relacionadas, que “permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente”.

Casas Bahia em crise
O movimento da Braskem ocorre em um momento em que outra gigante brasileira, a Casas Bahia, também busca proteção para reorganizar suas dívidas. A varejista entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em débitos, em meio a dificuldades financeiras e a um processo de reestruturação de suas operações.

Enquanto a Casas Bahia recorreu à recuperação judicial, a Braskem optou pela recuperação extrajudicial para tentar reestruturar aproximadamente R$ 54 bilhões em dívidas, negociando um acordo com seus credores. Após demissões em massa, a Justiça determinou, na noite de terça-feira (18), que a Casas Bahia deveria manter os empregos de pessoas atingidas pela reestruturação do grupo, após o pedido de recuperação judicial.

A ação atendeu parcialmente a um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), enquanto a varejista tenta renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. A operação de reestruturação resultou no fechamento de 298 lojas e na demissão de 1900 trabalhadores, sem intervenção sindical prévia.

Em nota, a Casas Bahia afirmou que havia tomado conhecimento da decisão e estava avaliando os próximos passos, além de reforçar que respeita as determinações da Justiça e prestará os esclarecimentos necessários.

*com informações do Estadão Conteúdo

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