A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não pretende participar do primeiro ato de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para o próximo domingo, 16, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
O ato ocorrerá em um palco já conhecido pelo bolsonarismo e usado recorrentemente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para reunir seus apoiadores.
A praia de Copacabana se tornou um dos principais palcos dessas mobilizações. Enquato presidente, Jair Bolsonaro levou apoiadores à orla durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022.
Em abril de 2024, quando já era ex-presidente, convocou uma manifestação em defesa da liberdade de expressão, e em março de 2025, organizou um ato centrado no pedido de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro.
Michelle tem dito a pessoas próximas que vai ficar em Brasília, cuidando do marido. Essa foi a mesma justificativa dada por ela para faltar à convenção que homologou a candidatura de Flávio.
Além disso, Michelle não deve participar de uma reunião que Flávio marcou com os candidatos ao Senado do PL. O encontro acontece nesta terça-feira, em Brasília.
O berço vazio
No Rio de Janeiro, o bolsonarismo, no entanto, está perdendo forças. O nome apoiado pelo PL para disputar o governo do estado ainda não conseguiu decolar nas pesquisas.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, aparece com apenas 16% das intenções de voto.
O desempenho o coloca a uma distância significativa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que lidera a disputa com o apoio do presidente Lula (PT).
Espólio político
O cenário contrasta com o desempenho recente do bolsonarismo no estado.
Em 2018, Jair Bolsonaro conquistou 68% dos votos válidos no Rio de Janeiro na eleição presidencial.
No cenário nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) hoje aparece nas pesquisas cerca de 30 pontos percentuais abaixo da votação obtida pelo pai, indicando que a transferência do capital político de Bolsonaro não ocorre de forma automática.
Além disso, Douglas Ruas é pouco conhecido na capital e no interior do estado.
“No âmbito nacional, ocorreram vários fatores que minaram Flávio. O Douglas Ruas também não é conhecido. É diferente do Eduardo Paes, que teve tempo para reconstruir seu recall político. O Douglas praticamente teve de se construir do zero”, diz Guilherme Dall’orto, doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UERJ.
Sem Bolsonaros
A ausência dos filhos de Bolsonaro em disputas por cargos executivos também contribuiu para frear o desenvolvimento do bolsonarismo no Rio.
Com exceção do Flávio, que disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, nenhum outro filho do ex-presidente se lançou aos governos estadual ou municipal.
O senador era visto como um nome forte para concorrer ao Palácio Guanabara, mas foi apontado por Jair para concorrer ao Planalto.
Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio, concorre ao Senado por Santa Catarina. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro está inelegível e vive nos Estados Unidos.
Todos os filhos de Bolsonaro nasceram na capital fluminense. Com informações de O Antagonista.